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29 de Novembro de 2016 às 22:10

Correios chama os trabalhadores a se sacrificarem por monstro criado a peso de ouro

Recomeçaram nesta segunda-feira (28) as reuniões da Comissão Paritária para Melhoria do Plano de Saúde, com o tema apresentado pela ECT sobre o custeio do plano

Para os representantes dos (as) trabalhadores (as) que compõem a Comissão Paritária de Saúde pela FENTECT a questão é clara: o plano de saúde da categoria é uma conquista irrevogável e dessa maneira deve ser defendido pelos (as) ecetistas e os sindicatos. Representa, acima de tudo, a riqueza produzida na empresa, devolvida aos (as) próprios empregados (as) como benefício.

O salário nos Correios é o mais baixo entre as estatais brasileiras. Benefícios como ticket alimentação e plano de saúde são como compensação, diante disso. Logo, a FENTECT reafirma o posicionamento contrário a qualquer proposta da ECT que onere ainda mais os arrochados salários dos (as) ecetistas.

A empresa tenta confundir os (as) trabalhadores ao trazer para discussão formas de custeio de outros planos de saúde, comparando ao da categoria, sem levar em conta a média ou piso salarial dessas classes, superiores aos dos (as) empregados (as) dos Correios. Nos panos como a CASSI (Banco do Brasil) ou a GEAP (Servidores Federais), por exemplo, são cobradas mensalidades, e a média salarial varia entre R$ 5.000,00, ou mais, a valores superiores a R$ 9.000,00.

E, ainda assim, o valor médio investido na saúde do (a) ecetista é bem menor do que os dos exemplos citados pela ECT, mesmo com toda verba gasta na criação da Postal Saúde. Portanto, cobrar mensalidade aos (as) trabalhadores (as) dos Correios trata-se, na verdade, de corte de salários e responsabilização dos (as) empregados (as) pela crise causada pela má gestão da empresa.

Quanto mais dinheiro sai do bolso da categoria, mais sobra para alimentar os altos salários e a criação de demais funções de confiança, que servem somente para saciar o desejo partidário dos grupos políticos que administram os Correios.

Há conhecimento de várias reuniões com os chefes da empresa, com o objetivo de intensificar a pressão sobre os (as) trabalhadores (as), para tornar possível a mensalidade no plano. Como já divulgado na mídia e pela própria empresa, as alegações são o déficit financeiro e a necessidade de cortes de gastos. Porém, a categoria está cada dia mais revoltada com a campanha insistente da ECT sobre a situação financeira em estado caótico. Na prática, criaram um “monstro” para uma possível abertura de capital da empresa.

Milhões e bilhões
A categoria, aos quatro cantos do país, tem questionado a postura da empresa que, por outro lado, repassa à União quase R$ 4 bilhões das reservas financeiras, além do lucro obtido pelos Correios, que também foram repassados.

Há também o caso do distrato com o Banco Brasil sobre a parceira do Banco Postal, que criou enorme prejuízo financeiro e a ECT teve que arcar com a devolução de mais de R$ 2 bilhões ao BB. Vale relembrar a criação da CorreiosPar - em torno de R$ 300 milhões -, fora os pagamentos de salários da diretoria, o que também não trouxe nenhum retorno financeiro positivo para os cofres da empresa.

O enquadramento contábil da ECT, sob regras internacionais de contabilidade, também instituiu a conta pós-emprego, com a reserva mais de R$ 1 bilhão, anualmente. Porém, a conta do valor real mantido nessa modalidade ainda é uma incógnita.

Não muito distante, nas Olimpíadas, o patrocínio girou em cerca de R$ 300 milhões, com um evento de alto nível de excelência. Quase toda a logística foi terceirizada e paga pela ECT.

Com a Postal saúde, quando da criação e transição, foi gasto mais de R$ 1,4 bilhão. Enquanto isso, a propaganda dos Correios falava em redução de custos. Não foi bem assim e o resultado gerou um gasto três vezes maior que o anterior, quando o plano era operado pelo próprio RH da ECT.

Riqueza informal
Com o ex-presidente dos Correios, Giovanni Queiroz, foram reduzidos os salários do presidente e dos vices, mas, na atual gestão esses valores foram retomados. Não bastasse a não obrigatoriedade de pertencer ao quadro de empregados da estatal, além de serem indicações partidárias. O presidente da ECT custa mais de R$ 46 mil mensais aos Correios e os vice-presidentes, mais de R$ 40 mil mensais. Salários acima do teto máximo constitucional (salário do Presidente da República como base).

A novidade é a contratação de consultoria sem licitação para prestar serviços e tratar da reestruturação dos Correios. Um custo acima de R$ 29 de milhões. Para a consultoria anterior, no entanto, foram pagos quase R$ 3 milhões - diferença de R$ 26 milhões, em dois anos.

Estas são algumas das medidas adotadas pela ECT, que contradizem o discurso deficitário. Portanto, debater a alteração da forma de custeio do plano de saúde é inaceitável. A culpa não pode ser jogada no (a) trabalhador (a), que somente agora está sendo chamado ao sacrifício.

A apresentação da H&J consultores, que levanta o tema “Déficit, provisionamento e o processo de reestruturação nos Correios - com olhar crítico sobrea criação da Postal Saúde”, foi desmarcada pela segunda vez, pelos Correios. A expectativa é que seja apresentada na quinta-feira, dia 01 de dezembro, se não houver outro contratempo.

O trabalho desenvolvido em parceria, com a H&J Consultoria e a FENTECT, ainda não foi concluído porque o balanço financeiro de 2015 dos Correios ainda não foi apresentado. Estava marcada para o dia 30 de abril, mas o ano está no fim e, até o momento, a empresa não se manifestou a respeito.

A FENTECT orienta à categoria que acelere as mobilizações, por meio dos veículos de comunicação e nas bases. A guerra de informações da ECT para enganar os (as) trabalhadores (as) está em andamento e os (as) ecetistas não podem perder nenhuma batalha.


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