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7 de Agosto de 2018 às 16:48

DENÚNCIA SINTCOM-PR: Correios financiam seminário a favor da reforma trabalhista

ECT aparece como "patrocinador OURO" em site da empresa que realiza o evento

Correios financiam seminário a favor da reforma trabalhista

Por: Cinthia Alves e Paula Zarth Padilha

O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (SINTCOM-PR) protocolou nessa terça, 7 de agosto, um pedido de informações via Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), assim que recebeu a denúncia de que os Correios estão financiando com “patrocínio Ouro” uma jornada de seminários pelo país na defesa e aplicação da reforma trabalhista. É o “Projeto Articulação Política Pelo Emprego – Jornadas Brasileiras de Relações do Trabalho”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Cultura (IBEC) em parceria com a Câmara dos Deputados e a Secretaria Geral da Presidência da República.

 Trata-se de seminários em diversas regiões do país, de 19 de junho a 28 de setembro, com programação fixa e participação de Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), incluindo o ex-presidente Ives Gandra Martins Filho, notório defensor das alterações que prejudicam os trabalhadores e favorecem as empresas.

Para o secretário geral do SINTCOM-PR, Marcos Rogério Inocêncio, tal patrocínio é altamente questionável, principalmente quando os Correios negam reajuste e ameaçam retirar conquistas históricas dos trabalhadores, alegando que a Empresa precisa se “reestruturar”. “Em plena campanha salarial dos trabalhadores dos Correios, a empresa oferece reajuste que sequer repõe as perdas inflacionárias, anuncia o fechamento de agências, extinção de cargos, dizendo que está passando por dificuldades e na contramão paga milhões para divulgar a reforma trabalhista contra nós”, observou Inocêncio.

denúncia partiu da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) que protocolou, no dia 27 de junho, pedido de informações junto às empresas públicas Correios, Caixa e Banco do Brasil. Para a Federação, os Correios afirmaram que estavam negociando o patrocínio e, que por hora, não iriam fornecer informações até que a parceria fosse efetivada, no entanto, a logomarca dos Correios aparece oficialmente como um dos patrocinadores do evento no site do IBEC. A Federação conseguiu comprovar que a Caixa já destinou R$ 300 mil ao Seminário e o Banco do Brasil decretou sigilo sobre a operação.

Conforme divulgação do IBEC, a correalização do evento é das entidades patronais Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Febraban (Federação Brasileira de Bancos), além de parceria com a Presidência da República. Os sindicatos e advogados que representam os trabalhadores não foram convidados a participar do evento para debater sobre os temas tratados.

O coordenador-geral das Jornadas é o deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), relator da Reforma Trabalhista e ex-ministro do Trabalho nomeado por Temer. De acordo com seu perfil no wikipedia, Ronaldo Nogueira de Oliveira “é um administrador, pastor da Igreja Assembleia de Deus e político brasileiro, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)”.

Correios podem começar greve nessa terça (7)

 Os trabalhadores dos Correios rejeitaram a proposta da direção da empresa de 2,21% de reajuste, que corresponde a 60% do INPC da data-base da categoria, que é dia 1º de agosto. O reajuste não cobre sequer as perdas da inflação do período, projetado em 3,68%. As assembleias serão realizadas nessa terça (7) com deflagração de greve a partir das 22h, por tempo indeterminado. No Paraná, serão realizadas assembleias em 17 cidades, incluindo Curitiba.

Após anunciar lucro de R$ 667 milhões, em 2017, a direção dos Correios além de propor um índice de reajuste abaixo da inflação, também quer retirar direitos históricos da categoria, como corte do vale-alimentação em períodos de licença médica por acidente de trabalho; diminuição no pagamento de adicional noturno; aumento de jornada de trabalho aos sábados sem pagar hora extra; rebaixamento da gratificação de férias entre outros ataques.

               A direção da estatal protocolou um pedido para que o TST medie as negociações. O Ministro Vice-Presidente do Tribunal, Renato de Lacerda Paiva, propôs, no início da tarde dessa terça (07), que ECT pague o reajuste aplicado pela turma de dissídios nos julgamentos (não o que corresponde ao período da data-base da categoria 31/07/2017- 31/07/2018), somente sobre os salários, não sobre os benefícios e reedite o ACT 2017/18, mas retirando a cláusula 28, que impõe a cobrança de mensalidade e aumento na coparticipação do Plano de Saúde. O TST dá prazo para que os sindicatos se manifestem sobre a proposta até o dia 9, mas com a condição de que não entrem em greve, senão ele retira a proposta e a negociação vai à dissídio.


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