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30 de Agosto de 2016 às 21:46

Empresa trata das condições de trabalho, mas deixa de lado a integridade dos trabalhadores (as)

Hoje, dia 30, com a discussão sobre a cláusula" Das Condições de Trabalho", mais uma vez, a ECT anuncia inúmeros ataques ao Acordo Coletivo de Trabalho e coloca como "pano de fundo" o discurso da modernização, em detrimento à segurança do ecetista.

Já foram realizadas pelo menos meia dúzia de apresentações pelos representantes dos Correios, tendo como objetivo enrolar e desgastar o processo negocial, sempre com informações superficiais, que pouco ou quase nada colaboram com o debate. Nesta terça-feira, por exemplo, levaram dados sobre implantação de novas máquinas, mas que não contemplam todas as regiões do País. Para piorar a situação, a empresa fica sempre em cima do muro quando o assunto é "para aonde irão os trabalhadores (as) que serão substituídos pelas máquinas.

Segundo a ECT, todo investimento no processo de automação teve início quando a empresa detinha uma reserva de caixa de R$ 4,5 bilhões, da qual, R$ 3,9 bilhões foram enviados ao Tesouro Nacional. A alegação da ECT foi que a verba seria usada para o PAC, com valor acima da lei, o que deixou os Correios numa posição de extrema fragilidade financeira.

Flexibilização do salário é ameaça

De acordo com a representação da ECT, no tocante às inovações tecnológicas, a promessa é de realocação e reenquadramento de trabalhadores (as) que possam ser afetados, no entanto, sem definir como isso se dará.

Quanto à jornada de trabalho, foi suprimida a cláusula que trata dessa questão nas agências, além de ter sido sugerida pela ECT a criação de uma nova proposta que poderá flexibilizar a jornada de trabalho, com ajuste proporcional na remuneração. Ou seja, a empresa poderá reduzir a carga horária de trabalho, com desconto respectivo nos salários dos trabalhadores (as), que passaria a ser pago conforme a quantidade de horas trabalhadas. Isso significa a abertura ao funcionário "horista" - abrindo possibilidades ao fim do salário mensal.

Enquanto em todo o mundo é trabalhada a proposta de redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, os Correios age na contramão. Entre as demais propostas apresentadas pela ECT em relação as condições de trabalho, pretende-se a retirada de direitos em várias cláusulas:

-Retirada do descanso de dez minutos a cada 50 trabalhados para digitadores;
-Supressão da cláusula que trata do redimensionamento da carga. Ou seja, é o fim dos "redistritamentos" e do recrutamento interno para motorizado,
-Extinção da Comissão de Entrega pela Manhã, assim como fim do projeto de Universalização da Entrega pela Manhã nos demais estados do País.

Segurança patrimonial x humana
Enquanto os representantes da ECT debatiam a mecanização das atividades dos ecetistas, duas agências foram assaltadas no Estado do Mato Grosso pela manhã e no Mato Grosso do Sul o gerente foi feito refém no exato momento da discussão. As medidas adotadas pela ECT deixam evidentes a falta de compromisso com os empregados e clientes. Por todo o Brasil, foi retirada de várias agências a vigilância armada e ainda faltam dispositivos básicos de segurança.

Cresce o número de assaltos bem como o de empregados (as) com problemas de saúde, originados por trauma com a violência. A ECT, no entanto, se eximi da responsabilidade e descumpre o próprio acordo coletivo. Enquanto isso, trabalhadores (as) correm o risco de morte.

Para o comando, a ECT fala que não há desemprego, mas também não contrata. De acordo com a representação dos trabalhadores (as), a empresa insiste em um formato que prejudica ao extremo a categoria, causa sobrecarga de trabalho com a desvalorização da mão de obra humana, enquanto, como solução, prevê a automação tecnológica. Fica claro o objetivo da ECT, que é a redução do quadro de pessoal.

O CNNM se posicionou veementemente contra todas as propostas apresentadas pelos Correios, pois, além de retirar direitos, avançam na precarização das condições de trabalho. Uma empresa secular como o Correios, orgulho nacional em diversos momentos para o brasileiro, não pode andar na contramão das conquistas sociais e da qualidade de vida.

Nesta quarta-feira (31), seguem as negociações sobre a cláusula Benefícios, para a qual a empresa já apresentou outro pacote com redução de direitos. Por isso, os trabalhadores (as) dos Correios devem se organizar para lotar as assembleias no dia 06 de setembro, por todo o país.

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