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30 de Maio de 2018 às 16:15

Feminicídio e abusos são desmistificados em segundo dia de encontro

Nesta manhã (30), os temas “Relacionamento abusivo e autoestima” e “Feminicídio” fizeram parte da discussão do XXI Encontro Nacional de Mulheres. De acordo com a palestrante Camila Marques (DF), é preciso dizer não, de uma vez por todas, para as relações abusivas, inclusive no movimento sindical, e não à sociedade capitalista de exploração. “Os nossos relacionamentos amorosos passam por processos de dominação e competição, assim como nos ambientes de trabalho”, disse.

Segundo pesquisa feita em 2016 pelo Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, 503 mulheres brasileiras são vítimas de agressão física a cada hora. Entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram. “Nós, mulheres, somos internalizadas a pensar devemos ficar ao lado do homem quando a situação está difícil. As pessoas dizem ‘está ruim, mas poderia estar pior’. Por isso, não podemos ter como perspectiva o menos pior, em nenhum âmbito”, ressaltou Camila.

Conforme a pesquisa, apenas 11% das mulheres agredidas procuraram a delegacia da mulher. “Eu vivi um relacionamento abusivo com violência física e eu não tinha espaço para falar sobre isso. Quando nos propomos a tocar no assunto, os casos começam a aparecer”, relatou a palestrante.

Foram contabilizados, ao todo, 4.473 homicídios dolosos em 2017, um aumento de 6,5% em relação a 2016. Desses, 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Isso significa que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. É o que mostra o levantamento feito pelo portal G1, considerando os dados oficiais dos estados brasileiros relativos a 2017.

A palestrante Elcimara Souza, do Movimento Mulheres em Luta do DF, abordou o tema “Feminicídio” elencando aspectos de todas as formas de opressão inerentes às minorias, como o machismo, a xenofobia, racismo e homofobia, as quais ela considera provenientes de uma sociedade capitalista.

Ainda fez uma análise sobre propagandas de cunho machista e mostrou dados esclarecedores e, por muitas vezes, subnotificados, já que muitas mulheres ficam com vergonha de denunciar. “O Brasil é o quinto país do mundo onde mais se mata mulheres. Nós naturalizamos essa realidade, mas não podemos olhar para isso de maneira isolada”, afirmou Elcimara.

O evento ainda vai debater o comportamento nas mídias sociais, como lidar com a agressividade dos clientes, práticas antissindicais e a reforma trabalhista e o acordo coletivo durante a tarde desta quarta-feira (30).


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