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6 de Fevereiro de 2018 às 16:03

Investigadores criticam 'demora' para PF deflagrar operação sobre irregularidades no fundo de pensão dos Correios

Fonte: G1

Demora foi argumento para desembargador liberar preso na operação. Polícia Federal afirmou que organizar uma operação demanda logística e mobilização de profissionais.

A operação Pausare, sobre desvios no Postalis, fundo de pensão dos Correios, foi deflagrada na última quinta-feira (1º) em meio a críticas à Polícia Federal sobre a demora para “colocar a operação na rua”. No andamento judicial da operação, disponível no site da Justiça Federal em Brasília, é possível ver que os mandados estavam prontos desde o dia 15 de dezembro.

A última movimentação mostra a frase: “carga retirados polícia federal”. Investigadores confirmaram que isso quer dizer que, no dia 15 de dezembro, os mandados já estavam com endereços atualizados e prontos para que o planejamento da operação fosse posto em prática.

A autorização judicial para a operação, do juiz Vallisney de Oliveira, da Justiça Federal no Distrito Federal, é do dia 6 de novembro de 2017, quase três meses antes de a operação ir para as ruas.

Reservadamente, fontes que acompanham o caso relataram insatisfação com essa demora. Disseram que era uma operação para ter sido deflagrada ainda em 2017, e que procedimentos considerados simples, como a atualização de endereços se arrastaram.

Essas mesmas fontes que acompanham as investigações reforçaram que a deflagração de uma operação policial pressupõe urgência, para evitar vazamentos. Por isso, quanto mais os preparativos se estendem, mais riscos a investigação corre.

O problema, relatado nos bastidores, ganhou contornos oficiais e foi citado na decisão do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Ney Bello, de revogar a prisão preventiva de um dos alvos da operação, José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, ex-presidente da instituição financeira internacional BNY Mellon.

Para Bello, a demora de três meses demonstra que não havia urgência e motivos para a prisão preventiva de Xavier de Oliveira.

"A prisão não tem vinculação direta com a interrupção de qualquer atividade criminosa , que foi requerida em set 2017 , portanto , há 4 meses. Se fosse urgente haveria cumprimento ainda no ano passado . A própria demora na decisão e no seu cumprimento favorecem os argumentos dos impetrantes”.

José Carlos Lopes Xavier de Oliveira nem chegou a ser preso. Ele estava nos Estados Unidos quando a PF deflagrou a operação e voltou ao Brasil neste domingo (4).

O Postalis é um reduto de indicações políticas do PMDB. Milton Lyra, apontado como operador de senadores do partido, foi alvo da Operação Pausare na semana passada.

Questionada pela TV Globo, a PF informou que “para que as operações sejam efetivas, a PF necessita convocar policiais e realizar um trabalho de logística para compatibilizar as ações com outras operações em andamento. No caso da Operação Pausare foram convocados cerca de 250 policiais para atuar em 4 unidades da federação e fazer cumprir cerca de 100 mandados judiciais”.

Veja a cronologia do caso:

  • o pedido da operação foi feito pelo procurador Ivan Marx e pelo delegado Luis Flávio Zampronha no dia 12 de setembro de 2017 (há quase 5 meses);
  • a operação foi autorizada pelo juiz Vallisney de Oliveira, da Justiça Federal no Distrito Federal, no dia 6 de novembro;
  • os mandados estavam prontos no dia 15 de dezembro;
  • a operação foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 1º de fevereiro (quase 3 meses depois da decisão judicial que autorizava a ação).


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