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6 de Maio de 2019 às 09:43

Um governo perigoso

Créditos: Jota Camelo
Sob o governo Bolsonaro, o Brasil se tornou um mero capacho
Jota Camelo

Nota da FENTECT sobre a privatização dos Correios

Este é um governo perigoso. Um governo que após cinco meses só produziu polêmicas, envergonhou o país e se mostrou incapaz de dar respostas aos problemas mais urgentes do povo brasileiro. Um governo que trata a classe trabalhadora como inimiga, porque não admite incluir os trabalhadores em sua agenda, pois está completamente comprometido com os grandes empresários que foram fiadores da sua campanha. Campanha esta baseada em mentiras e discursos fáceis que perduram até o momento numa evidente estratégia de confundir e impedir a mobilização popular. Este é um governo perigoso e como em situações de perigo, é preciso ter cautela.

O Governo Bolsonaro já mostrou que não deve descer do palanque. Após mais de 100 dias à frente do Palácio do Planalto não houve medida relevante que trouxesse perspectiva da tal “Nova Era” alardeada por seus aliados. O que se viu, no entanto, foram declarações patéticas, denúncias de corrupção envolvendo até mesmo o presidente e sua família e a falta de um projeto de nação, visto que os cortes e ataques a direitos foram as principais medidas até o momento.

Para entregar a Reforma da Previdência Bolsonaro está disposto a tudo. Mas, além de acabar com o sistema de seguridade social do país, aprofundamento uma crise que já produziu 13% de desempregados, o presidente também quer dilapidar o Brasil. Para isso levou para sua equipe – além de amigos e correligionários, como disse que não faria – empresários como Salim Mattar, secretário de “desestatização”. A regra é clara: vender tudo o que não conseguir destruir. Incapacitado que é para dialogar (fugiu de todos os debates durante a eleição), Bolsonaro quer passar por cima de um patrimônio que lhe foi confiado, entregando ao capital privado aquilo que é do povo brasileiro. Este é o verdadeiro significado das privatizações: um atestado de incompetência do Estado.

No caso dos Correios é ainda mais grave. Parecida com a situação da Petrobras e de outras estatais estratégicas para o país, não há espaço para discurso de boas intenções como a diminuição da dívida pública ou de melhoria dos serviços. Não tem duas décadas que o Brasil experimentou seu primeiro processo privatista violento e o que se viu foi aumento dos preços dos serviços, diminuição da qualidade e um verdadeiro ataque à soberania nacional, como nos setores das telecomunicações e mineração. Agora, com o indicativo de privatização dos Correios, Bolsonaro mostra mais uma vez que não se importa com os interesses nacionais, pois, ao mesmo tempo que promove cortes para quem mais precisa, coloca o país de joelhos diante da comunidade internacional, se alinhando incondicionalmente aos EUA.

É preciso lembrar que os Correios cumprem uma função social fundamental para o desenvolvimento do país e sua estrutura logística permite que os ecetistas atuem como verdadeiros agentes do Estado, prestando suporte em diversos momentos e integrando todo o território nacional. A ECT é a responsável por levar cidadania a todos os cantos do país. Alguém que propõe se desfazer de uma empresa desse porte não pode querer o bem dos brasileiros, pois são os que mais precisam dos serviços dos Correios que ficarão prejudicados com a sua venda. Portanto, quaisquer “estudos” que venham a ser realizados para a sua venda precisam ser transparentes. É preciso, no mínimo, saber quais as reais intenções e quem são os interessados a quem Bolsonaro pretende servir. É mentira que os Correios dão prejuízo, assim como é mentira que só a iniciativa privada é capaz de modernizar sua estrutura. Fosse verdade não haveria tantos interessados em comprar os Correios do Brasil. Bolsonaro e sua equipe não são desinformados, apenas jogam com a desinformação para desmobilizar e confundir.

A FENTECT, que recentemente completou 30 anos, tem uma história que se confunde com a própria redemocratização do Brasil. Forjada na luta pela participação social e organização sindical combativa, esta federação resistiu e resistirá aos ataques arbitrários do governo Bolsonaro. Nem a perseguição aos sindicatos na tentativa de asfixiar as entidades de classe vai intimidar quem sempre acreditou na luta da classe trabalhadora por uma vida mais digna e um país mais justo. Aproxima-se o Congresso de Representantes desta federação e mais uma vez a categoria ecetista terá oportunidade de debater sua organização diante dos desafios que estão colocados. A FENTECT convoca todos os sindicatos filiados a mobilizarem seus delegados e suas bases para este que pode ser o congresso mais importante da história dos trabalhadores dos Correios devido a uma certeza: será ainda um momento repleto de gente que ainda sonha e ainda luta.

 


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